sábado, 18 de julho de 2015

Comunidade participa da EXPO ALTO CAMAQUÃ 2015



A Associação Comunitária Quilombo Corredor dos Munhós esteve participando da Expo Alto Camaquã 2015 que ocorreu no Centro Administrativo da Prefeitura Municipal de Bagé nos dias 10 a 12 de julho de 2015.

O evento é uma mostra das potencialidades econômicas e turísticas da região da parte mais alto do Rio camaquã, no Bioma Pampa, denominada Alto Camaquã.
A Associação apresentou os seguintes produtos: Cucas Caseiras com Recheios de Marmelada e Perada, Mel, Rapadurinha de Abóbora, Rosquinhas Caseiras e Artesanato em Lã.

O Presidente da Associação, Amilton Camargo, falou que a comunidade tem muitas potencialidades, inclusive turísticas que devem ser aprimoradas para apresentação para o público. " Nossa dificuldade com os alimentos é que precisamos de uma cozinha estruturada dentro dos padrões da legislação sanitária e ambiental para poder comercializar."
A Comunidade Corredor dos Munhós é um dos membros ativos da Rede de Produtores do Alto Camaquã - ReAC.


Cucas com doces típicos, pão de rolão, rapadura de abóbora, rosquisnhas e mel

terça-feira, 24 de março de 2015

Chega de Chorar...É hora de trabalhar

Foto: EMATER
Nossa Comunidade surgiu a partir da "abolição" da escravatura, recebendo o sobrenome de nossos antigos donos, a Família Munhoz de Camargo.

Vivemos, hoje em 07 famílias, em uma área de 40ha de terra, na Localidade da Mantiqueira em Lavras do Sul/RS.

Não temos conflito de terra, mas buscamos o reconhecimento enquanto comunidade quilombola por nossas raízes culturais e históricas e também para termos acesso ás políticas públicas governamentais para o público quilombola.

Em 2012 fundamos a Associação Comunitária Quilombo Corredor dos Munhós, com o objetivo de representar a comunidade e termos formalidade para atuar em projetos rurais.

Em 25 de outubro de 2013 recebemos o Reconhecimento da Fundação Cultural Palmares, como Comunidade Quilombola.

Ainda assim persiste a pobreza, as diferenças sociais e a dificuldade de acessar as políticas públicas da agricultura familiar.

Reclamamos muito, mas agora vamos trabalhar e vamos precisar de 100 investidores sociais pra nos ajudar a tocar nossos projetos de geração de trabalho e renda.

Investidores sociais são aqueles que disponibilizam recursos que podem transformar a vida de pessoas, gerando fortalecimento econômico e organização social com baixo impacto ambiental.

Chegou a hora de arregaçar as mangas e trabalhar por uma vida melhor no campo.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

As pequenas comunidades rurais...

Nossa região é caracterizada por propriedades individuais que entremeam médias e grandes propriedades, há poucas comunidades rurais, com escola, igreja, cancha de bocha/carreira, campo de futebol, etc.

No entanto há as pequenas comunidades rurais formadas por 4, 5 até 10 famílias, que possuem um vínculo importante pois trocam serviço, trocam produtos e mantém acesa a chama do que chamamos de comunidade, ou seja, um grupo de pessoas que possui relações próximas do ponto de vista econômico e social.

As políticas públicas geralmente são desenhadas para atingir o maior público possível, então essas regiões onde há pequenas comunidades isoladas ficam alijadas do acesso a essas políticas.

Um exemplo muito comum são as estradas. Se a estrada beneficia um número grande de famílias de pequenos proprietários ou algumas propriedades maiores ela recebe mais investimentos do que uma estrada que serve a poucas famílias.

Na nossa comunidade basta realizar um serviço de 01 dia para que a estrada fique boa por muitos anos. Basta cascalhar 02 trechos com menos de 50 metros cada e colocar 02 bueiros. E já são vários pedidos junto a Prefeitura Municipal e ainda não saiu, com o argumento de que a comunidade possui poucas famílias.

No acesso à água ocorre a mesma coisa, foram vários projetos e até hoje nenhum saiu do papel. Nem um projeto específico para as comunidades quilombolas não saiu do papel e algumas famílias precisam de água urgente, tanto no Corredor dos Munhos como na Vila dos Corvos.

Vamos precisar somar forças pra que as pequenas comunidades não desapareçam.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Opinião: Conflitos de Terra em Lavras?

Todo mundo nos conhece do Quilombo Corredor dos Munhos, aqui de Lavras do Sul. Somos descendentes da Vó Chica escrava antiga que originou aquele núcleo. Somos filhos do Tio Abedão, do Ademar, do Vital e de outros tantos negros velhos daquela localidade. Trabalhamos em várias estâncias em vários lugares de Lavras do Sul.

Sempre fomos conhecidos como agricultores que plantam milho, feijão, batata-doce e que fazem as delícias como as cucas da Tia Erô e a marmelada da Tia José. E todo mundo sabe que cada um de nós tem meia dúzia de animais bovinos conforme o costume da região. E quando buscamos o reconhecimento enquanto comunidade quilombola foi pra revalorizar a nossa cultura, a nossa história e pra vencer a dificuldade de inserção nas políticas públicas da agricultura familiar.

Mas no Brasil a mídia só mostra as coisas ruins que acontece e as pessoas ficam com uma imagem equivocada das comunidades quilombolas. Tem gente que acham que nós estamos vivendo em conflito pela terra com as demais propriedades aqui da nossa volta e que os Quilombolas dos Munhos querem mais de mil hectares de terras (boatos de cidade pequena). Quando na verdade temos já há muitos anos consolidada a posse das áreas que estamos e o que pode acontecer é uma regularização documental das mesmas.

Nossos desafios é neste pedaço de terra, gerar renda para as famílias, conseguir uma estrada de qualidade para transportar pessoas, produtos e serviços, ter acesso a uma água de melhor qualidade para consumo humano (que apesar dos vários projetos, ainda não conseguimos concretizar) e construir habitações com melhor salubridade e habitabilidade.

Quanto ao conflito de terra não há, só há um conflito cognitivo na mente de algumas pessoas que não conhecem a sua realidade e vivem a partir do que é mostrado no Jornal Nacional ou no Jornal do Almoço. Temos que pensar a partir do local, valorizando as pessoas que estão ou que querem viver no meio rural, estas independente de serem quilombolas, agricultores ou pecuaristas precisam ser incentivadas e apoiadas, independente de serem muitas ou poucas famílias. Mas o assunto das necessidades diferentes e do número de famílias fica pra outro momento.

Amilton Camargo
Coordenador da Comunidade Quilombola Corredor dos Munhos

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Conheça a história do Dia da Consciência Negra

TREZE DE MAIO NÃO É DIA DE NEGRO
Tia José e Tia Bete no Encontro Quilombola
Foto: EMATER/ASCAR

NÃO FOI O NEGRO,QUEM O INVENTOU 
E A LEI ÁUREA FOI UMA MANEIRA ARRANJADA
DE EXCLUIR O NEGRO
DAQUELA PÁTRIA ONDE ELE TRABALHOU
VALHA-ME DEUS,SENHOR SÃO BENTO
O DIA DO NEGRO É 20 DE NOVEMBRO.

                                                Negro Afro
Zumbi dos Palmares nasceu em 1655, no estado de Alagoas. Ícone da resistência negra à escravidão, liderou o Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas no Brasil Colonial. Localizado na região da Serra da Barriga, atualmente integra o município alagoano de União dos Palmares.
Embora tenha nascido livre, Zumbi foi capturado aos sete anos de idade e entregue a um padre católico, do qual recebeu o batismo e foi nomeado Francisco. Aprendeu a língua portuguesa e a religião católica, chegando a ajudar o padre nas celebrações de missas. Porém, aos 15 anos, voltou a viver no quilombo, pelo qual lutou até a morte, em 1695.
Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da luta contra a escravidão, lutou também pela liberdade de culto religioso e pela prática da cultura africana no País. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra
Fontes: Fundação Cultural Palmares e Link: http://www.vagalume.com.br/officina-affro/negro-afro.html#ixzz3JcWjq6Vk

Porque 13 de Maio não é Dia de Negro?
No dia  13 de maio, um fato histórico, mas que não garantiu a integração do negro na sociedade, pois após a abolição os negros e negras não receberam nenhum tipo de indenização pelos séculos de trabalho escravo.
A abolição da escravidão não garantiu nem casas para os negros morarem, os ex-escravos saíram das senzalas diretamente para as favelas e periferias. Sendo assim, os negros foram historicamente condenados à marginalidade e negro se tornou sinônimo de exclusão social no Brasil. Por isso esse processo é entendido pelo conjunto do movimento negro como uma abolição inacabada.
Percebemos que atualmente a mídia da pouca atenção para a questão da exclusão dos negros na sociedade. E quando a questão negra aparece contém erros sociológicos e históricos graves. Por exemplo, recentemente a novela Sinhá Moça passou a ser reprisada no programa Vale a Pena Ver de Novo da TV Globo.

História inventada
O conto fala dos momentos finais da escravidão no Brasil, colocando como a filha de um Barão de café tinha pena dos escravos e lutava pelo fim da escravidão. Assistindo a novela recria-se um clima de politização onde as irmandades repletas de jovens brancos advogados lutavam pelo fim da escravidão por bondade. A novela Sinhá Moça tenta apagar a luta dos escravos pela sua liberdade e coloca todos os méritos nos brancos bons das irmandades abolicionistas.
Personagens como a Sinhá Moça reconstroem uma Historia do Brasil falsa e inventada. Não é verdade que o fim da escravidão tem como eixo principal à solidariedade dos brancos para com os negros. A historiografia não deixa margens para duvidas sobre esses eventos históricos. O fim da escravidão é marcado pela luta do povo negro por sua libertação e pela pressão inglesa para acabar com a escravidão, pois havia interesse por parte dos ingleses em aumentar o mercado consumidor para consumir os produtos industrializados frutos da Revolução Industrial. Sendo assim interessava aos ingleses o negro deixar de ser escravo para se transformar em um trabalhador assalariado.

Interesses econômicos atrás da Lei Áurea
Por outro lado, o fim da escravidão interessava também os senhores de engenho mais esclarecidos, pois concluíram que o trabalho assalariado era muito mais barato que o trabalho escravo. O escravo doente era tratado pelo senhor de engenho que assim perdia dinheiro, o mesmo tinha medo da perda de mais dinheiro caso sua “mercadoria” escravo viesse a morrer. O capitalismo tinha uma proposta para resolver esta situação para o latifundiário, pois caso o trabalhador assalariado ficasse doente seria demitido tornando a produção mais econômica. Sendo assim, alguns latifundiários aderiram ao projeto abolicionista para aumentar seus lucros.
A Historia é muito diferente dos contos e os interesses econômicos superam a suposta solidariedade de brancos para com negros. Entender esse processo é fundamental para combatermos o racismo em tempos atuais. 
O motivo do protagonismo da luta pela abolição não estar nos negros na novela Sinhá Moça é para que a classe trabalhadora não se identifique e não perceba que a transformação da sociedade só ocorre através da luta. Pelo contrario a intenção da novela conservadora é que os pobres assistam as mudanças da sociedade sem participação, deixando as mudanças para seus governantes.
A data 13 de maio de 1888 e a aprovação da Lei Áurea não podem ser representadas pela falsa e inventada bondade da princesa Isabel, pois havia interesses econômicos muito claros em jogo. O movimento negro exige a valorização da luta dos negros por sua libertação e por isso não reconhece o 13 de maio (data construída pela elite branca) como o dia principal de luta dos negros.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Ajude nossos projetos

Interior de Lavras do Sul, município da Metade Sul do Rio Grande do Sul, na
região mais importante do Bioma Pampa, a Serra do Sudeste, 03 jovens comandam a Associação Comunitária Corredor dos Munhós, que possui ações em 02 comunidades quilombolas - Corredor dos Munhos e Vila dos Corvos - em ambas as famílias estão a margem do processo de desenvolvimento ocorrido na agricultura do RS. São 07 familías no Corredor dos Munhós e 05 famílias na Vila dos Corvos, em locais onde não são interessantes para o investimento público, ainda que ele aconteça através de políticas públicas do Governo Estadual e Federal, mas muito aquém das necessidades destas famílias.
A falta de investimentos nestas comunidades onde haviam dezenas de pessoas, levou ao empobrecimento, a falta de recursos financeiros, materiais e humanos necessários à organização familiar e a geração de renda nestas famílias.
Entre as principais demandas destas comunidades estão:
 - Melhoria na qualidade da habitação das famílias;
 - Investimento nas estradas de acesso ás comunidades (Colocação de Boeiros e Cascalhamento);
 - Investimento em Água Potável para consumo humano e uso doméstico.
 - Investimento em Equipamentos de uso coletivo, para a produção agropecuária e transformação dos produtos primários e artesanato com vistas à geração de renda;
 - Investimento em transporte (logística) dos produtos até a cidade, onde há um vasto mercado para a produção local.
 - Valorização do trabalho das mulheres e da juventude nas comunidades, visando por fim ao êxodo rural.
Para tanto necessitamos de um valor considerável de recursos para viabilizar estas 13 famílias, sendo calculado em R$ 100 mil, mas qualquer ajuda é de bom tamanho.
A Associação vive hoje das doações do Presidente, que se esforça para mantê-la aberta e de alguns associados.
O que ganho com isso?
Gratidão por vossa vida e pela vossa liberalidade.

Como vou saber da aplicação dos recursos?
Através do nosso Blog - quilombomunhos.blogspot,com - iremos publicar de forma transparente a aplicação dos recursos.

Como faço para ajudar?
Depósito em Conta: 
Associação Comunitária Quilombo Corredor dos Munhos
Banco do Brasil - Agência 0801-X Conta: 9029-8
Após o depósito enviar comprovante para: quilombomunhos@hotmail.com 

PAG Seguro: Entre no blog quilombomunhos.blogspot.com e no Banner à direita clique em Doar com PagSeguro. Você doa qualquer valor via Boleto, Cartão de Crédito, Débito em Conta ou Depósito Online.








Agradecimentos:
Amilton Cesar Camargo
Associação Comunitária Quilombo Corredor dos Munhos

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Bioconstrução: Valorizando o conhecimento dos antigos...



O conceito de Bioconstrução engloba diversas técnicas da arquitetura vernácular mundial, algumas delas com centenas de anos de história e experiência, tendo como característica a preferência por materiais do local, como a terra, diminuindo gastos com fabricação e transporte e construindo habitações com custo reduzido e que oferecem excelente conforto térmico (SOARES, 1998).
São geralmente técnicas simples que qualquer pessoa é capaz de fazer, coordenada ou não por profissionais, permitindo assim de serem chamadas técnicas de autoconstrução. Assim, elas incluem grande dose de criatividade, vontade pessoal do proprietário e responsável pela obra e o uso de soluções ecológicas pontuais adaptadas à cada caso.
As bioconstruções são um elemento importantíssimo da Permacultura, buscando a integração das unidades construídas com o seu ambiente, segundo o design permacultural estabelecido na área. Deste modo, a bioconstrução busca desde o planejamento,  execução e utilização, o máximo aproveitamento dos recursos disponíveis com o mínimo impacto.
Algumas das técnicas de bioconstrução são:
    • Terra: Pau-a-pique, Adobe, Super-Adobre, Cob, Taipa de pilão, Solocimento, Ferrosolocimento,
    • Fibras renováveis: Palha, Fardo Palha, Bambu
    • Coberturas vegetais
    • Ecossaneamento: Círculo de Bananeiras, Bacia de Evapotranspiração
    • Mosaicos: reutilizando materiais disponíveis
Fonte: IPOEMA

Minha casa dos sonhos por Amilton Camargo
Fonte: Revista Casa Abril